Nem só de amor se vive um casal

Nem só de amor se vive um casal

 

Há quem defenda com unhas e dentes a ideia de que o amor tudo cura e tudo resolve. Mas a prática do consultório nos mostra uma realidade bem mais complexa: existem inúmeros casais que ainda se amam profundamente e, mesmo assim, estão completamente perdidos um no outro. O afeto está lá, vivo, mas talvez esteja exausto, soterrado por camadas de ruído. É aí que surge aquela velha pergunta que aperta o peito: se a gente ainda se ama, por que está tão difícil ficar junto?

A verdade incômoda é que o amor, sozinho, não dá conta de sustentar a arquitetura de uma relação. Estar com alguém exige uma disposição quase artesanal de escutar, ceder, construir e, principalmente, reconstruir o que racha pelo caminho. É preciso aprender a sustentar a parceria inclusive naqueles dias em que o sentimento parece não bastar. Quando a engrenagem falha, o silêncio que se instala entre duas pessoas não é um vazio; ele é ensurdecedor, denso, carregado de tudo o que foi engolido ao longo dos anos. O que antes era cumplicidade vira cobrança reativa; a brincadeira leve ganha um tom de ironia e irritação. Muitos casais param de falar simplesmente porque cansaram de tentar. Acham que já esgotaram os argumentos. O que eles não percebem é que o problema raramente é a falta de amor, mas a escassez de um espaço seguro para que esse amor continue respirando.

Caímos com muita facilidade na armadilha de congelar o parceiro. Conforme o tempo passa, criamos uma imagem estática do outro: aquele ali é o fechado, ela é a impulsiva, ele sempre vai reagir daquele jeito. No momento em que transformamos o companheiro em um conceito fixo, paramos de enxergá-lo de verdade. Esquecemos que o outro é um processo em constante movimento, atravessado por novas dores, outros medos e novos desejos a cada dia. Um relacionamento maduro não é aquele que exige estabilidade eterna, mas o que tem espaço para acolher as transformações de cada um e, ainda assim, renovar a escolha de permanecer.

Quando mágoas, frustrações e solidões ficam entaladas na garganta, elas silenciosamente erguem um muro intransponível entre dois corpos que antes se tocavam com fluidez. Amar não tem nada a ver com adivinhação. Tem a ver com a coragem de perguntar e a generosidade de escutar a resposta, sem armaduras.

É por isso que a terapia de casal não pode ser confundida com um tribunal. Não estou ali para dar razão a ninguém, apontar culpados ou ditar regras de comportamento. A clínica é um território neutro, um compasso de espera onde duas pessoas podem finalmente desacelerar, desarmar os gatilhos e se olhar de frente, com menos pressa e mais verdade. É um espaço para traduzir o que ficou preso no peito e, a partir daí, descobrir se é possível desenhar uma nova forma de caminhar juntos ou, se for o caso, de construir uma despedida que guarde respeito e dignidade, longe do rancor.

Não existem receitas prontas ou garantias na existência. O que existe é a abertura para fazer diferente. Se o afeto entre vocês ainda pulsa, mas parece sufocado pelo cotidiano, talvez o que vocês precisem não seja de mais esforço isolado, mas de um lugar protegido onde esse sentimento possa voltar a respirar e encontrar um novo contorno. Se fizer sentido para o momento de vocês, o espaço está aberto para começarmos esse diálogo.

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Foto de Guilherme Schuvenke dos Reis ​

Guilherme Schuvenke dos Reis ​

Movido pela escuta da singularidade de cada ser humano, encontrei na abordagem fenomenológico-existencial uma forma de acolher com profundidade as dores e vivências que atravessam a vida. Desde que me formei em Psicologia pela Universidade Paulista em 2017, venho acompanhando adolescentes, adultos e casais em seus processos de autoconhecimento, oferecendo um espaço seguro para refletir, sentir e transformar.

Ao longo da minha trajetória, tenho me dedicado a criar um vínculo terapêutico genuíno, sem julgamentos, onde cada pessoa possa se reconhecer com mais clareza, presença e liberdade. Atendo tanto presencialmente quanto online, incluindo brasileiros que vivem no exterior, com o compromisso de sustentar uma escuta ética, acessível e respeitosa.

Minhas Especialidades
Foto de Guilherme Schuvenke dos Reis ​

Guilherme Schuvenke dos Reis ​

Movido pela escuta da singularidade de cada ser humano, encontrei na abordagem fenomenológico-existencial uma forma de acolher com profundidade as dores e vivências que atravessam a vida. Desde que me formei em Psicologia pela Universidade Paulista em 2017, venho acompanhando adolescentes, adultos e casais em seus processos de autoconhecimento, oferecendo um espaço seguro para refletir, sentir e transformar.

Ao longo da minha trajetória, tenho me dedicado a criar um vínculo terapêutico genuíno, sem julgamentos, onde cada pessoa possa se reconhecer com mais clareza, presença e liberdade. Atendo tanto presencialmente quanto online, incluindo brasileiros que vivem no exterior, com o compromisso de sustentar uma escuta ética, acessível e respeitosa.

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